{"id":1357,"date":"2018-07-25T23:53:12","date_gmt":"2018-07-25T22:53:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.oncoanestesia.org\/?p=1357"},"modified":"2018-07-25T23:53:12","modified_gmt":"2018-07-25T22:53:12","slug":"guerras-e-anestesia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.oncoanestesia.org\/?p=1357","title":{"rendered":"Guerras e Anestesia"},"content":{"rendered":"<p><em>Todas as semanas reveja uma personalidade que por motivos muito diversos est\u00e1 ligada \u00e0 Hist\u00f3ria da Anestesia. Esta semana, o escolhido \u00e9 <strong>\u201cGuerras e Anestesia\u201d<\/strong>\u2026<\/em><\/p>\n<p>A \u201cpersonalidade\u201d que hoje vai estar em an\u00e1lise chama-se \u201c<strong>Guerra<\/strong>\u201d!&#8230;<br \/>\nDesde sempre a \u201cGuerra\u201d teve um papel preponderante na evolu\u00e7\u00e3o dos povos. Foi sempre um motor de desenvolvimento criado pela necessidade de se obterem determinados objectivos prementes. A anestesia, como complemento da cirurgia, n\u00e3o fugiu a esta regra. Vejamos um pouco da sua atribulada hist\u00f3ria durante as guerras\u2026Apesar de oficialmente a Anestesia s\u00f3 ter iniciado a sua exist\u00eancia em 1846, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que o al\u00edvio da dor foi desde sempre uma motiva\u00e7\u00e3o dos homens. Os escritores cl\u00e1ssicos sempre aludiram a v\u00e1rias plantas (ex: \u00f3pio, mandr\u00e1gora, c\u00e2nhamo indiano), com propriedades analg\u00e9sico\/sedativas.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1363 alignright\" src=\"http:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/GA1-300x256.jpg\" alt=\"\" width=\"175\" height=\"150\" srcset=\"http:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/GA1-300x256.jpg 300w, http:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/GA1-768x655.jpg 768w, http:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/GA1-1024x874.jpg 1024w, http:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/GA1-352x300.jpg 352w, http:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/GA1.jpg 1594w\" sizes=\"(max-width: 175px) 100vw, 175px\" \/>No entanto as primeiras descri\u00e7\u00f5es pormenorizadas sobre o uso de t\u00e9cnicas anest\u00e9sicas em cen\u00e1rios de guerra reportam ao conflito militar entre os <strong>Estados Unidos e o M\u00e9xico <\/strong>em 1847. Dois meses ap\u00f3s a demonstra\u00e7\u00e3o da primeira opera\u00e7\u00e3o indolor com \u00e9ter por William Morton, Edward H. Barton e John B. Porter administraram \u00e9ter no campo de batalha para a realiza\u00e7\u00e3o de a<img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1362 alignleft\" src=\"http:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/GA2-300x263.jpg\" alt=\"\" width=\"157\" height=\"139\" srcset=\"http:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/GA2-300x263.jpg 300w, http:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/GA2-342x300.jpg 342w, http:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/GA2.jpg 499w\" sizes=\"(max-width: 157px) 100vw, 157px\" \/>mputa\u00e7\u00e3o dos membros!<br \/>\nApesar das dificuldades de comunica\u00e7\u00f5es na \u00e9poca \u00e9 espantoso como o \u00e9ter \u00e9 tamb\u00e9m usado no Ver\u00e3o de 1847 pelas for\u00e7as militares russas no C\u00e1ucaso. Spencer Wells, m\u00e9dico ingl\u00eas descreve a anestesia de 106 doentes em Malta no mesmo ano. Em 1848 os dinamarqueses tamb\u00e9m usaram clorof\u00f3rmio no campo de batalha.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1361 alignright\" src=\"http:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/GA3-300x210.jpg\" alt=\"\" width=\"202\" height=\"144\" \/>Posteriormente na <strong>Guerra da Crimeia<\/strong> (1853-1856) e na <strong>Guerra Civil Americana<\/strong> (1861-1865), o \u00e9ter, o clorof\u00f3rmio ou a combina\u00e7\u00e3o dos dois anest\u00e9sicos foram usados rotineiramente com este objectivo.<br \/>\nCada guerra \u201caprendeu\u201d com as li\u00e7\u00f5es das guerras anteriores com o fim de melhorar as t\u00e9cnicas anest\u00e9sicas. Foi neste sentido que o cirurgi\u00e3o George Washington Crile, afirmou que a maior li\u00e7\u00e3o aprendida com a\u00a0<strong>Primeira Guerra Mundial<\/strong> (1914-1918), resume-se ao conceito resumido na seguinte frase: \u201c<em>o paciente cor-de-rosa n\u00e3o pode morrer\u201d<\/em>. \u00c9 esta no\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia da cor do doente como mostru\u00e1rio exterior do estado interno, que deve conduzir ao desenvolvimento de todos os esfor\u00e7os para salvar o doente. Foi tamb\u00e9m na Primeira Guerra Mundial q<img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1360 alignleft\" src=\"http:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/GA4-300x200.png\" alt=\"\" width=\"187\" height=\"128\" \/>ue a par da utiliza\u00e7\u00e3o da anestesia loco-regional e local, se desenvolveu o <em>\u201cFlagg can\u201d<\/em> um vaporizador de \u00e9ter para anestesiar. Este utens\u00edlio, ainda foi muito \u00fatil na <strong>Guerra Civil Espanhola<\/strong> (1936-1939), quando os equip<img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1359 alignright\" src=\"http:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/GA5-300x221.jpg\" alt=\"\" width=\"161\" height=\"120\" srcset=\"http:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/GA5-300x221.jpg 300w, http:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/GA5-407x300.jpg 407w, http:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/GA5.jpg 550w\" sizes=\"(max-width: 161px) 100vw, 161px\" \/>amentos anest\u00e9sicos e\/ou os gases comprimidos n\u00e3o estavam dispon\u00edveis.<br \/>\nA <strong>Guerra do Vietname<\/strong> (1959-1975) trouxe dois grandes desafios para a anestesia: a multiplicidade de les\u00f5es sofridas pelos militares e a necessidade de evacua\u00e7\u00e3o r\u00e1pida dos feridos do teatro de guerra para um hospital. Estes factos levaram a um maior desenvolvimento da anestesia geral em detrimento da anestesia loco-regional, \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de novas t\u00e9cnicas de ressuscita\u00e7\u00e3o cardiopulmonar mais eficazes, ao desenvolvimento de t\u00e9cnicas cir\u00fargicas mais complexas bem como \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de unidades de cuidados intensivos.<br \/>\nAs tentativas de se implementarem estes pressupostos na <strong>Guerra do Camboja<\/strong> (1970-1975) e na <strong>Guerra Civil Angolana<\/strong> (1975-2002), foram infelizmente infrut\u00edferas, devido \u00e0 estrat\u00e9gia das partes beligerantes em destru\u00edrem sistematicamente os servi\u00e7os de sa\u00fade. Nestas guerras, o anest\u00e9sico de escolha foi a cetamina. Este f\u00e1rmaco tamb\u00e9m foi usado inte<a href=\"http:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/GA6-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1365 alignright\" src=\"http:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/GA6-2-255x300.jpg\" alt=\"\" width=\"154\" height=\"180\" srcset=\"http:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/GA6-2-255x300.jpg 255w, http:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/GA6-2.jpg 260w\" sizes=\"(max-width: 154px) 100vw, 154px\" \/><\/a>nsivamente pelos servi\u00e7os m\u00e9dicos italianos nas guerras da <strong>Som\u00e1lia<\/strong> (1994) e do <strong>Uganda<\/strong> (1999). Foi no entanto na <strong>Guerra das Malvinas ((Falklands)<\/strong> (1982), que a cetamina foi inicialmente utilizada de uma forma rotineira. Esta guerra ficou tamb\u00e9m marcada pelo desenvolvimento do <em>\u201c<\/em><em>Triservice anesthetic apparatus (TSA)\u201d<\/em>, um aparelho anest\u00e9sico port\u00e1til e miniaturizado, e pelo desenvolvimento da t\u00e9cnica de anestesia geral endovenosa. Esta t\u00e9cnica \u00e9 posteriormente desenvolvida em 1991 na <strong>Guerra do Golfo P\u00e9rsico<\/strong> com a utiliza\u00e7\u00e3o combinada de cetamina e propofol.<br \/>\nA t\u00e1tica de guerra mais recente \u00e9 o <strong>terrorismo<\/strong>!&#8230;<br \/>\nProvavelmente ser\u00e1 necess\u00e1rio desenvolver uma nova abordagem anest\u00e9sica que exigir\u00e1 solu\u00e7\u00f5es \u00fanicas baseadas em li\u00e7\u00f5es do passado\u2026<\/p>\n<p><em>Na pr\u00f3xima semana, descubra porque \u00e9 que <strong>Francis Foldes<\/strong>, mereceu as honras de ser nomeado por este &#8220;site&#8221;!<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todas as semanas reveja uma personalidade que por motivos muito diversos est\u00e1 ligada \u00e0 Hist\u00f3ria da Anestesia. 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