{"id":2502,"date":"2020-12-28T22:43:51","date_gmt":"2020-12-28T22:43:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.oncoanestesia.org\/?p=2502"},"modified":"2020-12-28T22:49:06","modified_gmt":"2020-12-28T22:49:06","slug":"as-pandemias-e-o-papel-do-anestesiologista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oncoanestesia.org\/?p=2502","title":{"rendered":"AS PANDEMIAS E O PAPEL DO ANESTESIOLOGISTA"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Ap\u00f3s um interregno mais ou menos prolongado devido \u00e0 pandemia, propomo-nos reiniciar a publica\u00e7\u00e3o de pequenas hist\u00f3rias sobre grandes vultos da Hist\u00f3ria da Anestesia.<br \/><\/em><em style=\"font-size: inherit\">Pareceu-nos que nada melhor que recome\u00e7ar esta s\u00e9rie de textos com uma reflex\u00e3o sobre a import\u00e2ncia do Anestesiologia no contexto das pandemias na atualidade e ao longo dos s\u00e9culos&#8230;<\/em><\/p>\n<p class=\"Normal tm5 tm6\"><span class=\"tm7\">Desde h\u00e1 2000 anos que se sabe que as pandemias, a intervalos espa\u00e7ados no tempo, devastam a qualidade de vida dos seres humanos.<br \/><\/span><span class=\"tm7\">Nestes m\u00faltiplos surtos, os profissionais de sa\u00fade, os sistemas hospitalares e todas as estruturas que os antecederam, suportaram o impacto do elevado n\u00famero de doentes que recorreram aos seus pr\u00e9stimos, cumprindo em cada \u00e9poca os seus deveres profissionais de uma forma exemplar. Apesar do empenhamento dos profissionais, as pandemias t\u00eam exposto as in\u00fameras car\u00eancias dos sistemas de sa\u00fade que tiveram sempre muitas dificuldades em se adaptarem \u00e0s \u201cavalanches\u201d de doentes que a eles recorrem nestas \u00e9pocas de crise. No entanto, neste esfor\u00e7o tantas vezes cicl\u00f3pico, nem todos os profissionais de sa\u00fade foram expostos aos mesmos riscos. Os volunt\u00e1rios e algumas especialidades m\u00e9dicas, onde se incluem os anestesiologistas estiveram sempre na \u201clinha da frente\u201d, lidando com os casos mais graves. Tornaram-se assim elementos cruciais na resposta contra qualquer pandemia que curse com um componente respirat\u00f3rio grave ou letal.<br \/><\/span><span class=\"tm7\">Na hist\u00f3ria do combate \u00e0s pandemias destaca-se <\/span><strong><span class=\"tm8\">John Snow<a href=\"http:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/p1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-2503 alignright\" src=\"http:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/p1-197x300.jpg\" alt=\"\" width=\"158\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/p1-197x300.jpg 197w, https:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/p1.jpg 328w\" sizes=\"(max-width: 158px) 100vw, 158px\" \/><\/a><\/span><\/strong><span class=\"tm7\"> que estudou com enorme rigor e sistematiza\u00e7\u00e3o os primeiros agentes inalat\u00f3rios conhecidos, nomeadamente o clorof\u00f3rmio. Utilizou o mesmo m\u00e9todo para estudar a epidemia de c\u00f3lera em Londres em 1848. Mapeou toda a cidade de Londres com o m\u00e1ximo de casos de c\u00f3lera e descobriu que estavam relacionados com uma empresa de fornecimento de \u00e1gua. Ficou assim demonstrado que a transmiss\u00e3o da c\u00f3lera se fazia pela \u00e1gua, mesmo antes do conhecimento dos microrganismos&#8230;<br \/><\/span><span class=\"tm7\">A gripe espanhola que data de 1918-19 \u00e9 a pandemia mais mortal da hist\u00f3ria da humanidade. Causou 40-100 milh\u00f5es de mortes em todo o mundo em 12 meses. Foi estimado que aproximadamente 10% dos jovens que viviam naquela \u00e9poca foram mortos pelo v\u00edrus.<br \/><\/span><span class=\"tm7\">Outras pandemias no s\u00e9c. XX e XXI tiveram tamb\u00e9m uma import\u00e2ncia transcendente. Destaca-se no ano de 1950 a infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus da poliomielite que devastou a vida de milhares de pessoas e deixando como sequelas m\u00faltiplas paralisias parciais.<br \/><\/span><span class=\"tm7\">Em 2003, o surto da s\u00edndrome respirat\u00f3ria aguda grave (SARS) chocou o mundo. Foi relatado pela primeira vez na \u00c1sia em fevereiro de 2003 e em poucos meses difundiu-se pela Am\u00e9rica do Norte, Am\u00e9rica do Sul, Europa e \u00c1sia afetando mais de 8.000 pessoas com uma mortalidade de aproximadamente 10%.<br \/><\/span><span class=\"tm7\">Em 2009, o primeiro caso de H1N1 foi relatado no M\u00e9xico. Posteriormente, espalhou-se por 214 pa\u00edses em todo o mundo, matando mais de 18.000 pessoas.<br \/><\/span><span class=\"tm7\">Em 2012, o Coronav\u00edrus da S\u00edndrome Respirat\u00f3ria do Oriente M\u00e9dio (MERS-CoV) e em 2014-16, o v\u00edrus Ebola que devastou a parte ocidental da \u00c1frica, s\u00e3o dois exemplos recentes de pandemias que mataram e deixaram com sequelas milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo.<br \/><\/span><span class=\"tm7\">Em 11 de Mar\u00e7o de 2020 a OMS declarou como pandemia a infe\u00e7\u00e3o causada pelo SARS-CoV-2&#8230;<br \/><\/span><span class=\"tm7\">Em todas estas pandemias os anestesiologistas desempenharam (e desempenham) um papel crescente no tratamento dos doentes infetados contribuindo decisivamente para a diminui\u00e7\u00e3o da morbilidade e mortalidade.<br \/><\/span><span class=\"tm7\">Durante o surto de uma pandemia, os anestesiologistas est\u00e3o sempre na linha da frente, cuidando dos casos mais graves quer na Urg\u00eancia, sala de opera\u00e7\u00f5es ou UCI. S\u00e3o os m\u00e9dicos que correm maiores riscos de adquirir a infe\u00e7\u00e3o pois est\u00e3o envolvidos em procedimentos geradores de aeross\u00f3is, como seja a intuba\u00e7\u00e3o endotraqueal, a ressuscita\u00e7\u00e3o cardiopulmonar e, por vezes, as traqueotomias. S\u00e3o tamb\u00e9m, por iner\u00eancia das suas fun\u00e7\u00f5es, dos mais expostos a problemas de stress mental e consequentemente sujeitos a casos graves de depress\u00e3o e de disfun\u00e7\u00e3o familiar como se tem constatado no caso da pandemia pelo SARS-CoV-2.<br \/><\/span><span class=\"tm7\">Pelas suas capacidades de organiza\u00e7\u00e3o e sistematiza\u00e7\u00e3o s\u00e3o tamb\u00e9m os especialistas mais vocacionados para fazerem parte das equipas de coordena\u00e7\u00e3o e de defini\u00e7\u00e3o de protocolos das estruturas hospitalares. O seu conhecimento abrangente e a sua atividade profissional transversal a m\u00faltiplas especialidades hospitalares fazem do anestesiologista o \u201celemento-charneira\u201d entre as diversas compet\u00eancias m\u00e9dicas permitindo a realiza\u00e7\u00e3o destas tarefas de coordena\u00e7\u00e3o de uma forma particularmente eficaz.<br \/><\/span><span class=\"tm7\">Em conclus\u00e3o poderemos dizer que um dos grandes ensinamentos das pandemias, principalmente a provocada pelo SARS-CoV-2, \u00e9 que os anestesiologistas s\u00e3o cada vez mais necess\u00e1rios para um combate eficaz e o seu n\u00famero nunca ser\u00e1 suficiente para as necessidades acrescidas que ocorrem nestes per\u00edodos de crise. S\u00f3 com a sua colabora\u00e7\u00e3o, empenhamento e maior influ\u00eancia nos sistemas de sa\u00fade, ser\u00e1 poss\u00edvel reduzir drasticamente a morbilidade e a letalidade. <br \/><\/span><span class=\"tm7\">E n\u00e3o se iludam os burocratas que julgam que a sua import\u00e2ncia se resume aos momentos de crise! No p\u00f3s-pandemia os anestesiologistas ser\u00e3o ainda mais necess\u00e1rios para tratar as sequelas precoces e tardias das pandemias&#8230;<\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/p2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-2504 alignleft\" src=\"http:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/p2-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"235\" height=\"141\" srcset=\"https:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/p2-300x180.jpg 300w, https:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/p2.jpg 445w\" sizes=\"(max-width: 235px) 100vw, 235px\" \/><\/a> <a href=\"http:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/p3.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-2505 alignright\" src=\"http:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/p3-300x204.jpg\" alt=\"\" width=\"204\" height=\"139\" srcset=\"https:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/p3-300x204.jpg 300w, https:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/p3-768x523.jpg 768w, https:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/p3-1024x697.jpg 1024w, https:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/p3-441x300.jpg 441w, https:\/\/www.oncoanestesia.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/p3.jpg 1290w\" sizes=\"(max-width: 204px) 100vw, 204px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s um interregno mais ou menos prolongado devido \u00e0 pandemia, propomo-nos reiniciar a publica\u00e7\u00e3o de pequenas hist\u00f3rias sobre grandes vultos da Hist\u00f3ria da Anestesia.Pareceu-nos que nada melhor que recome\u00e7ar esta s\u00e9rie de textos com uma reflex\u00e3o sobre a import\u00e2ncia do &hellip; <a href=\"https:\/\/www.oncoanestesia.org\/?p=2502\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[32,1,56],"tags":[228],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.oncoanestesia.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2502"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.oncoanestesia.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.oncoanestesia.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.oncoanestesia.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.oncoanestesia.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2502"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/www.oncoanestesia.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2502\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2521,"href":"https:\/\/www.oncoanestesia.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2502\/revisions\/2521"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.oncoanestesia.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2502"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.oncoanestesia.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2502"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.oncoanestesia.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2502"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}