John Collins Warren

Todas as semanas reveja uma personalidade que por motivos muito diversos está ligada à História da Anestesia. Esta semana, o escolhido é John Collins Warren

Nestes primeiros episódios da História da Anestesia, não podemos deixar de fazer referência a uma personalidade ímpar. Como somos habitualmente bons “anfitriões” na nossa prática clínica (embora raramente reconhecidos como tal…), nada melhor que dar destaque a um ilustre…cirurgião!
E porquê um cirurgião na História da Anestesia? Exactamente porque John Collins Warren teve o mérito de colaborar e apoiar em “tempos muito difíceis” as experiências pioneiras de outros médicos que, sem saber, aspiravam a ser… anestesisJohn Warren1tas!
Nascido em Boston em 1778, este ilustre cirurgião fundador da Harvard Medical School e do New England Journal of Medicine (janeiro de 1812), era cirurgião chefe do Massachusetts General Hospital.
No dia 16 de outubro de 1846 (data oficial da introdução da Anestesia), no anfiteatro cirúrgico do Hospital Geral de Massachusetts, em Boston, ocorreu a primeira demonstração pública de uma anestesia com éter. Warren foi o cirurgião que extirpou o tumor de um jovem de 17 anos, enquanto Morton administrava éter por meio de um aparelho inalador por ele idealizado. Curiosamente, a cirurgia não foi documentada porque o “fotógrafo” sentiu-se indisposto ao presenciar o acto cirúrgico. Contudo o acontecimento foi posteriormente imortJohn Warren2alizado em um quadro do pintor Roberto Hinckley, datado de 1882. Ao terminar a célebre operação que mudou o destino da cirurgia e em que o doente permaneceu totalmente imóvel e insensível, John Collins Warren proferiu as seguintes palavras: “Daqui a muitos séculos, os estudantes virão a este hospital para conhecer o local onde se demonstrou pela primeira vez a mais gloriosa descoberta de ciência”.
O mérito de Warren neste “despertar” da Anestesia, vem do facto de apesar de não acreditar nas potencialidades dos “gases anestésicos” da altura, facto que se confirmou em 20 de janeiro de 1845 quando Horace Wells tentou anestesiar um estudante de Medicina para extracção de um dente e em que Warren foi o cirurgião, deu o benefício da dúvida e colaborou novamente em efectuar outra intervenção cirúrgica num doente submetido a uma anestesia que desta vez foi um verdadeiro sucesso!

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Protóxido de Azoto

Todas as semanas reveja uma personalidade que por motivos muito diversos está ligada à História da Anestesia. Esta semana, o escolhido é o Sr. “Protóxido de Azoto”…

Uma das principais personalidades responsável pelo primeiro grande revés na história da anestesia foi o sr. … Protóxido de Azoto!
Já falámos apa1nteriormente da influência que este agente inalatório teve na desacreditação de Horace Wells.
Mas qual é a origem deste gás, também chamado de “gás hilariante”?
Este gás foi descoberto em 1771 por Joseph Priestley juntamente com o oxigénio. Só em 1789 Humphrey Davy, um dentista com 17 anos usou este gpa2ás para aliviar dores de dentes. A partir daqui extrapolou conceitos muito interessantes…
“As nitrous oxide in its extensive operation appears capable of destroying physical pain, it may probably be used with advantage during surgical operations in which no great effusion of blood takes place.”
Apesar destas recomendações e deste espírito visionário, o interesse popular sobrepôs-se ao interesse científico. Festas com o “gás hilariante” tornaram-se comuns entre os estudantes de medicina e em diversões públicas…
Em 1844 Horace Wells tenta da forma desastrosa, já descrita pa3anteriormente, realizar a primeira anestesia geral. O resultado foi a ostracização do protóxido de azoto até ao início de 1860 altura em que Andrews introduziu o conceito de mistura deste gás com o oxigénio. Esta mistura tem-se mantido até hoje na prática anestésica.pa4
Desde os tempos de Horace Wells este gás foi considerado inócuo. Só em 1956 é descrita pela primeira vez a associação do protóxido de azoto a problemas hematológicos. A partir de então e apesar de manter a sua utilidade como agente terapêutico o protóxido de azoto tem sido estudado exaustivamente e têm-lhe sido imputados efeitos secundários graves (ex: teratogenicidade, e abortos espontâneos), quando as pessoas são expostas a concentrações elevadas durante muito tempo.Ultimamente até tem sido acusado de ser um dos principais responsáveis pelo “efeito de estufa”!…
Assim, é interessante verificar como o protóxido de azoto apesar dos azares que protagonizou e dos efeitos nocivos que lhe são imputados, continua a ser ainda hoje em dia um fármaco com ampla aplicação e com propriedades muito cativantes para a comunidade anestésica mundial.

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William Thomas Green Morton

Todas as semanas reveja uma personalidade que por motivos muito diversos está ligada à História da Anestesia. Esta semana, o escolhido é William Thomas Green Morton

Uma das principais personalidades envolvidas no nascimento da Anestesiologia, foi William Thomas Green Morton.
NascMortonido em 9 de Agosto de 1819 no Massachusetts, notabilizou-se como dentista. No seu percurso profissional trabalhou com Horace Wells em 1842. Para além de ter publicado alguns trabalhos interessantes sobre a sua prática de dentista em Boston o seu nome está irremediavelmente ligado aos primórdios da Anestesiologia devido à célebre demonstração de anestesia de um doente no Massachusetts General Hospital no dia 16 de Outubro de 1846. Nesta data “anestesiou” Edward Gilbert Abbott de modo a que lhe fosse extraído sem dor um tumor do pescoço. Perante o enorme êxito da sua intervenção tentou esconder o nome do agente inalatório que administrou ao doente, baptizando-o de “Letheon”. Com a descoberta pouco depois de queV0018140 The first use of ether in dental surgery, 1846. Oil painting o agente realmente utilizado tinha sido o éter, criou uma polémica nos meios académicos fomentada essencialmente pelo seu colega Horace Wells e pelo professor de química com quem trabalhou Charles T. Jackson, que o acusaram de plágio.
Apesar destas polémicas, Morton ficou para a História como a personalidade que realizou a primeira anestesia. A sua descoberta obteve um êxito retumbante na Europa e Estados Unidos tornando-se em poucos anos uma técnica vulgar para anMorton3estesiar os doentes submetidos a intervenções cirúrgicas.
Desiludido pelas constantes “guerras” promovidas pelos seus inimigos, morre empobrecido e caluniado em 1868 em Nova Iorque por provável “congestão cerebral”. Só em 1871 é que Morton é reconhecido como o inventor da anestesia inalatória.Morton4
A história da vida de Morton é o exemplo óbvio de como é possível aproveitar os ensinamentos de outros (Wells – Protóxido de Azoto e Jackson – éter), e conseguir dar um”passo em frente” evidente, mas que ninguém até esse momento tinha ousado imaginar. A partir daqui, os seus colegas tudo fizeram para o denegrir!
Como histórias semelhantes continuam a repetir-se nos nossos dias!…

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