Todas as semanas reveja uma personalidade que por motivos muito diversos está ligada à História da Anestesia. Esta semana, o escolhido é Charles Baudelaire!…
Vamos, desta vez, abordar uma forma mais filosófica de conceber a Anestesia e os seus efeitos. Para isso a personagem escolhida para encarnar esta temática é Charles Baudelaire.
Nasceu em Paris a 9 de abril de 1821. Estudou no Colégio Real de Lyon e Colégio Louis-Le-Grand (de onde foi expulso por não querer mostrar um bilhete que lhe foi passado por um colega)…
Em 1840 foi enviado à Índia pelo padrasto, preocupado com sua vida desregrada,, mas nunca chegou ao destino. Pára na ilha da Reunião e retorna a Paris. Atingindo a maioridade, toma posse da herança do pai. Por dois anos vive entre drogas e álcool na companhia de Jeanne Duval.
Em 1857 é lançado o seu livro mais conhecido e polémico: As Flores do Mal contendo 100 poemas. É acusado no mesmo ano, pelo Poder de ultrajar a moral pública. Os exemplares são confiscados, o escritor paga de multa de 300 francos e
a editora de 100.
Baudelaire ficou conhecido pelas suas sessões de poesia negra realizadas em ambiente poluído por fumadores de haxixe. No seu ensaio “Poema do Haxixe” publicado em 1895 faz algumas observações interessantes sobre a Anestesia: “Apesar dos admiráveis serviços que o éter e clorofórmio prestaram à humanidade, parece-me que, do ponto de vista da filosofia idealista o mesmo estigma moral marcado pela diminuição do livre-arbítrio humano e da dor necessária, é a marca em todas as invenções modernas. Não foi sem uma certa admiração que uma vez escutei o paradoxo de um oficial que me contou a cruel operação sofrida por um general francês em El-Aghouat, e que, apesar do clorofórmio, morreu. Este general era um homem muito corajoso e cavalheiro, uma vez que me disse que não era do clorofórmio que ele precisava, mas sim dos olhos de todo o exército e das músicas da sua banda. Assim, provavelmente teria sido salvo”. O cirurgião não concordou com o oficial, mas o capelão teria sem
dúvida admirado estes sentimentos.
Este conceito de “dor necessária” parece que actualmente ainda é apanágio de alguns médicos (felizmente cada vez menos), que continuam a pensar que “é preciso sofrer para saber dar o valor” e que “sem dor não há diagnóstico”!…
Baudelaire faleceu em Paris em 31 de Agosto de 1867 devastado pela sífilis com 46 anos. O seu corpo está sepultado no Cemitério do Montparnasse.
Na próxima semana, descubra porque é que Theodoric de Lucca, mereceu as honras de ser nomeado por este “site”!
einrich Irenaeus Quincke. Filho de um destacado médico (Hermann Quincke), foi doutorado em 1863 pela Universidade de Berlim, tendo estudado previamente nas Universidades de Heidelberg e de Wurzburg. Entre 1865 e 1871 exerceu medicina como internista entre Viena e Berlim.
(1872), postulou o interesse da drenagem do líquido céfalo-raquidiano como forma de tratar a hidrocefalia nas crianças. Os resultados encorajadores que obteve, conduziram ao desenvolvimento da técnica da punção lombar. Mediu as pressões do líquido céfalo-raquidiano, determinou a concentração proteica e de glucose e descreveu a associação de níveis baixos de glucose na meningite purulenta. Diagnosticou a meningite tuberculosa ao isolar bacilos de Koch no líquido céfalo-raquidiano.
abastada dedicou-se à Medicina com todo o seu empenho e devoção. Estudou nas universidades de Rostock e Leipzig sempre com óptimo aproveitamento e estabeleceu-se como médico na sua cidade natal depois de ter percorrido grande parte da Europa onde adquiriu muita experiência. Quistop fica definitivamente ligado à Anestesia quando em 20 de Julho de 1718 no grande auditório da Universidade de Rostock, defende publicamente a sua tese intitulada “De Anesthesia”. Escrita em latim, esta palavra era sobremaneira invulgar nesta época. Apenas na Grécia e Roma Clássicas este termo tinha sido utilizado e com significados variados sendo um deles “um estado de insensibilidade”… A única aparição desta palavra no moderno mundo ocidental até então é referida no “Castelli´s Lexicon Medicum Graeco Latinum”, publicado em 1713. A sua definição era a “privação dos sentidos”!… Quistorp na sua tese define a Anestesia como “uma perda de sensação, espontânea, profunda, mais ou menos persistente, por todo o corpo excepto nos órgãos que são responsáveis pelo pulso e pela respiração.” Descreve também muitas etiologias para esta situação, incluindo “vapores que ao entrarem no corpo podem produzir anestesia”. Notável é também a sua definição de 4 estados de profundidade que vão da “verdadeira anestesia – catalepsia” até ao estado de letargia!
encorajadores levaram-no a realizar uma segunda transfusão num vigoroso homem de 45 anos que se encontrava paralisado numa cadeira de rodas. Administrou-lhe sangue de carneiro e o doente retomou o seu trabalho no dia seguinte! Após estes bons resultados outros se seguiram menos bons, o que começou a alimentar uma controvérsia crescente sobre as transfusões. Esta controvérsia atingiu o auge após a morte de um paciente. Foi acusado de homicídio pela mulher e apesar do tribunal o ter sentenciado como inocente, proibiu a realização de mais transfusões sanguíneas.
Com estes maus resultados Denis tornou-se mais céptico em relação aos benefícios das transfusões, pelo que se dedicou com maior interesse a outras ciências e à matemática, não voltando a praticar medicina ou a realizar novas transfusões sanguíneas. Pouco tempo depois as transfusões foram banidas da Europa.
se em medicina na Universidade de Viena. Provido de recursos, dedicou-se a longos estudos científicos, chegando a dominar os conhecimentos de seu tempo, época de acentuado orgulho intelectual e cepticismo. Era um trabalhador incansável, calmo, paciente e ainda um exímio músico.
os membros dessa comissão, que acabou por constatar a veracidade das curas- Porém as atribuíram não ao magnetismo animal, mas a outras causas fisiológicas desconhecidas…
e uma força maravilhosa de sugestão sobre os enfermos.”
Beddoes. Formado em Medicina em 1786 pela Universidade de Oxford, é no final desta década que Thomas Beddoes tenta implementar o conceito introduzido por Joseph Priestley das aplicações terapêuticas dos “factitious airs” e outros gases e vapores. Com o desenvolvimento das suas ideias, funda em 1798 o Instituto Pneumático para a Terapêutica com Gás Inalado em Clifton e contrata Humphry Davy como Director de Pesquisas. As suas experiências com protóxido de azoto e muitos outro
s gases iniciam-se no ano seguinte. Em 1799 Beddoes publica um pequeno livro descrevendo pormenorizadamente algumas das experiências humanas com inalação de protóxido de azoto. Apesar do Instituto Pneumático ter tido uma vida efémera (foi encerrado em 1802), representa a fusão entre a Medicina e a Química numa nova ciência intitulada a Medicina Pneumática.
s e políticos, Beddoes é autor do livro “Observations on the Nature of Demonstrative Evidence” publicado em 1793 e que discute o livro do grande filósofo alemão Immanuel Kant intitulado “Critique of Pure Reason”. Esta sua faceta político-filosófica que culminou com o apoio à Revolução Francesa trouxe-lhe inúmeros dissabores e perseguições políticas.
vida, a considerável reputação científica de Priestley baseou-se na invenção da “água carbonatada”, nos seus escritos sobre a electricidade, e na descobertade vários “ares” (gases), sendo a mais famosa das suas descobertas o “ar deflogisticado” (oxigénio). Em relação a este gás, também Carl Wilhelm Scheele e Antoine Lavoisier reivindicara
m a sua descoberta. Tal facto deve-se a Priestley ter escondido durante algum tempo a descoberta deste gás.
publicações, combinada com o seu apoio directo à Revolução Francesa, suscitou suspeitas governamentais. Acabou por ser obrigado a fugir para os Estados Unidos da América após os distúrbios de Birmingham, em 1791.
periências que acabariam por levar à descoberta da fotossíntese. Isolou o monóxido de carbono (CO), mas aparentemente não percebeu que se tratava de um “ar” distinto.
e.

sia endovenosa que só virá a ter um desenvolvimento significativo cerca de dois séculos mais tarde com Pierre Oré.



ra o defeito mais grave da máquina, e idealizou então o condensador, o seu primeiro grande invento.
durante as experiências com protóxido de azoto em 1799 e 1800. James Watt, a mulher e um dos seus filhos juntamente com outros, participaram em numerosas experiências com gases.