James Watt

Todas as semanas reveja uma personalidade que por motivos muito diversos está ligada à História da Anestesia. Esta semana, o escolhido é James Watt

Para o desenvolvimento da Anestesia que culminou em 1846 com a primeira cirurgia efectuada sob anestesia geral, muito contribuíram grandes personagens cujos feitos já se esfumaram no decorrer dos anos.
Uma dessas personagens foi James WattJames Watt1
Inventor da moderna máquina a vapor, que possibilitou a revolução industrial, James Watt foi mundialmente reconhecido quando o seu nome foi dado à unidade de potência de energia – watt.
James Watt nasceu em Greenock, Escócia, em 1736. Aos 19 anos foi para Londres aJames Watt2prender o ofício de mecânico especializado na construção de instrumentos, mas em menos de um ano regressou à Escócia, por motivos de saúde. Por não possuir o certificado de aprendiz, teve dificuldades em montar uma oficina em Glasgow. Em 1757, no entanto, conseguiu ser escolhido para fabricar e reparar instrumentos matemáticos da Universidade de Glasgow.
Em 1763 recebeu para consertar uma máquina a vapor do tipo Newcomen, a mais avançada de então. Observou que a perda de grandes quantidades de calor eJames Watt3ra o defeito mais grave da máquina, e idealizou então o condensador, o seu primeiro grande invento.
Cerca de 1785 associa-se a Thomas Beddoes e aperfeiçoa algum equipamento com o objectivo de administrar gases aos doentes com fins terapêuticos no “Pneumatic Institution for Inhalation Gas Therapy” in Clifton (Bristol). Foi nesta instituição que algum deste equipamento foi usado mais tarde James Watt4 durante as experiências com protóxido de azoto em 1799 e 1800. James Watt, a mulher e um dos seus filhos juntamente com outros, participaram em numerosas experiências com gases.
James Watt morreu em Heathfield Hall, perto de Birmingham, Inglaterra, em 25 de Agosto de 1819.

Na próxima semana, descubra porque é que Cristopher Wren, mereceu as honras de ser nomeado por este “site”!   

John Collins Warren

Todas as semanas reveja uma personalidade que por motivos muito diversos está ligada à História da Anestesia. Esta semana, o escolhido é John Collins Warren

Nestes primeiros episódios da História da Anestesia, não podemos deixar de fazer referência a uma personalidade ímpar. Como somos habitualmente bons “anfitriões” na nossa prática clínica (embora raramente reconhecidos como tal…), nada melhor que dar destaque a um ilustre…cirurgião!
E porquê um cirurgião na História da Anestesia? Exactamente porque John Collins Warren teve o mérito de colaborar e apoiar em “tempos muito difíceis” as experiências pioneiras de outros médicos que, sem saber, aspiravam a ser… anestesisJohn Warren1tas!
Nascido em Boston em 1778, este ilustre cirurgião fundador da Harvard Medical School e do New England Journal of Medicine (janeiro de 1812), era cirurgião chefe do Massachusetts General Hospital.
No dia 16 de outubro de 1846 (data oficial da introdução da Anestesia), no anfiteatro cirúrgico do Hospital Geral de Massachusetts, em Boston, ocorreu a primeira demonstração pública de uma anestesia com éter. Warren foi o cirurgião que extirpou o tumor de um jovem de 17 anos, enquanto Morton administrava éter por meio de um aparelho inalador por ele idealizado. Curiosamente, a cirurgia não foi documentada porque o “fotógrafo” sentiu-se indisposto ao presenciar o acto cirúrgico. Contudo o acontecimento foi posteriormente imortJohn Warren2alizado em um quadro do pintor Roberto Hinckley, datado de 1882. Ao terminar a célebre operação que mudou o destino da cirurgia e em que o doente permaneceu totalmente imóvel e insensível, John Collins Warren proferiu as seguintes palavras: “Daqui a muitos séculos, os estudantes virão a este hospital para conhecer o local onde se demonstrou pela primeira vez a mais gloriosa descoberta de ciência”.
O mérito de Warren neste “despertar” da Anestesia, vem do facto de apesar de não acreditar nas potencialidades dos “gases anestésicos” da altura, facto que se confirmou em 20 de janeiro de 1845 quando Horace Wells tentou anestesiar um estudante de Medicina para extracção de um dente e em que Warren foi o cirurgião, deu o benefício da dúvida e colaborou novamente em efectuar outra intervenção cirúrgica num doente submetido a uma anestesia que desta vez foi um verdadeiro sucesso!

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Protóxido de Azoto

Todas as semanas reveja uma personalidade que por motivos muito diversos está ligada à História da Anestesia. Esta semana, o escolhido é o Sr. “Protóxido de Azoto”…

Uma das principais personalidades responsável pelo primeiro grande revés na história da anestesia foi o sr. … Protóxido de Azoto!
Já falámos apa1nteriormente da influência que este agente inalatório teve na desacreditação de Horace Wells.
Mas qual é a origem deste gás, também chamado de “gás hilariante”?
Este gás foi descoberto em 1771 por Joseph Priestley juntamente com o oxigénio. Só em 1789 Humphrey Davy, um dentista com 17 anos usou este gpa2ás para aliviar dores de dentes. A partir daqui extrapolou conceitos muito interessantes…
“As nitrous oxide in its extensive operation appears capable of destroying physical pain, it may probably be used with advantage during surgical operations in which no great effusion of blood takes place.”
Apesar destas recomendações e deste espírito visionário, o interesse popular sobrepôs-se ao interesse científico. Festas com o “gás hilariante” tornaram-se comuns entre os estudantes de medicina e em diversões públicas…
Em 1844 Horace Wells tenta da forma desastrosa, já descrita pa3anteriormente, realizar a primeira anestesia geral. O resultado foi a ostracização do protóxido de azoto até ao início de 1860 altura em que Andrews introduziu o conceito de mistura deste gás com o oxigénio. Esta mistura tem-se mantido até hoje na prática anestésica.pa4
Desde os tempos de Horace Wells este gás foi considerado inócuo. Só em 1956 é descrita pela primeira vez a associação do protóxido de azoto a problemas hematológicos. A partir de então e apesar de manter a sua utilidade como agente terapêutico o protóxido de azoto tem sido estudado exaustivamente e têm-lhe sido imputados efeitos secundários graves (ex: teratogenicidade, e abortos espontâneos), quando as pessoas são expostas a concentrações elevadas durante muito tempo.Ultimamente até tem sido acusado de ser um dos principais responsáveis pelo “efeito de estufa”!…
Assim, é interessante verificar como o protóxido de azoto apesar dos azares que protagonizou e dos efeitos nocivos que lhe são imputados, continua a ser ainda hoje em dia um fármaco com ampla aplicação e com propriedades muito cativantes para a comunidade anestésica mundial.

Na próxima semana, descubra porque é que John Collins Warren, mereceu as honras de ser nomeado por este “site”!

 

William Thomas Green Morton

Todas as semanas reveja uma personalidade que por motivos muito diversos está ligada à História da Anestesia. Esta semana, o escolhido é William Thomas Green Morton

Uma das principais personalidades envolvidas no nascimento da Anestesiologia, foi William Thomas Green Morton.
NascMortonido em 9 de Agosto de 1819 no Massachusetts, notabilizou-se como dentista. No seu percurso profissional trabalhou com Horace Wells em 1842. Para além de ter publicado alguns trabalhos interessantes sobre a sua prática de dentista em Boston o seu nome está irremediavelmente ligado aos primórdios da Anestesiologia devido à célebre demonstração de anestesia de um doente no Massachusetts General Hospital no dia 16 de Outubro de 1846. Nesta data “anestesiou” Edward Gilbert Abbott de modo a que lhe fosse extraído sem dor um tumor do pescoço. Perante o enorme êxito da sua intervenção tentou esconder o nome do agente inalatório que administrou ao doente, baptizando-o de “Letheon”. Com a descoberta pouco depois de queV0018140 The first use of ether in dental surgery, 1846. Oil painting o agente realmente utilizado tinha sido o éter, criou uma polémica nos meios académicos fomentada essencialmente pelo seu colega Horace Wells e pelo professor de química com quem trabalhou Charles T. Jackson, que o acusaram de plágio.
Apesar destas polémicas, Morton ficou para a História como a personalidade que realizou a primeira anestesia. A sua descoberta obteve um êxito retumbante na Europa e Estados Unidos tornando-se em poucos anos uma técnica vulgar para anMorton3estesiar os doentes submetidos a intervenções cirúrgicas.
Desiludido pelas constantes “guerras” promovidas pelos seus inimigos, morre empobrecido e caluniado em 1868 em Nova Iorque por provável “congestão cerebral”. Só em 1871 é que Morton é reconhecido como o inventor da anestesia inalatória.Morton4
A história da vida de Morton é o exemplo óbvio de como é possível aproveitar os ensinamentos de outros (Wells – Protóxido de Azoto e Jackson – éter), e conseguir dar um”passo em frente” evidente, mas que ninguém até esse momento tinha ousado imaginar. A partir daqui, os seus colegas tudo fizeram para o denegrir!
Como histórias semelhantes continuam a repetir-se nos nossos dias!…

Na próxima semana, descubra porque é que o Sr. “Protóxido de Azoto”, mereceu as honras de ser nomeado por este “site”!

Manual de Procedimentos 2016 – Lançamento da edição digital

Procedimentos 2016“Algo só é impossível até que alguém duvide e resolva provar o contrário. “
Albert Einstein

 

Neste conturbado ano de 2015, marcado ainda pela crise (nacional e internacional) e mais recentemente pelo drama dos refugiados sírios, foi também para o Serviço de Anestesiologia do IPOLFG um ano profundamente marcado por algo já anunciado, mas de que ainda não se tinha tomado consciência absoluta – a precoce e voluntária aposentação do seu carismático Diretor, Dr. José Manuel Caseiro.

Esta décima edição do Manual de Procedimentos do Serviço de Anestesiologia do IPOLFG – PROCEDIMENTOS 2016 – marca assim uma nova fase do Serviço, sem o importante contributo de uma pessoa que pelas suas qualidades de liderança, conferiu a este Serviço de Anestesiologia uma dinâmica e uma capacidade de intervenção na nossa área profissional, de que todos muito nos orgulhamos.

Para os elementos do Serviço de Anestesiologia do IPOLFG trata-se de um desafio, já assumido, de tudo fazer para continuar, melhorar e desenvolver a cada passo, toda a atividade deste grupo que teve o privilégio de ser dirigido pelo Dr. José Manuel Caseiro.

Quanto a mim, confesso que tenho vivido estes últimos tempos com alguma ansiedade, face às dúvidas que se me colocaram no início deste projeto.

Passada esta primeira fase, as dúvidas vão-se desvanecendo à medida que o projeto se vai consolidando. Não foi fácil chegar aqui e tenho a noção de que cada vez mais vai ser difícil obter os meios necessários para dar continuidade a esta tarefa.

Nesta edição do nosso manual, para além da revisão e atualização que sempre fazemos, abrimos espaço para mais dois capítulos: “Anestesia Geral Endovenosa (TIVA) com Recurso a “Target Controlled Infusion” (TCI)” e “Abordagem Perioperatória de Doentes com Elevado Consumo de Álcool”.

Além destes dois capítulos novos, introduzimos ainda três novos Auxiliares da Atividade Anestésica: “Tabela de Valores Auxiliares para Interpretação de Ecocardiograma”, “Algoritmo para Abordagem da Estenose Aórtica Grave em Cirurgia Eletiva Não Cardíaca” e “Algoritmo para Avaliação Pré-Operatória para Cirurgia Torácica”.

Quanto às dificuldades, que parecem avolumar-se, deixam no ar o espectro da dúvida de se no próximo ano aqui nos continuaremos a encontrar.

A edição anual é indiscutivelmente um dos nossos objetivos, mas se for absolutamente inevitável, evoluirá para publicação bianual, de modo a dar continuidade a esta tarefa de reconhecida pertinência.

Isabel Serralheiro
Novembro 2015

Anesthesia Basic Support

Anesthesia Basic Support é o novo suporte básico para anestesistas produzido pelo serviço de anestesiologia do Instituto Português de Oncologia de Lisboa Francisco Gentil.

Esta aplicação é baseada no manual de procedimentos do serviço de anestesiologia do IPOLFG.Já está disponível para dispositivos android na google play e brevemente estará disponível para dispositivos IOS na app store da apple,

ABS - Anesthesia Basic Support

ABS – Anesthesia Basic Support

Veja aqui algumas imagens do seu novo suporte básico.

 

Anesthesia Basic Support – Imagens

Anesthesia Basic Support é o novo suporte básico para anestesistas produzida pelo serviço de anestesiologia do Instituto Português de Oncologia de LIsboa Francisco Gentil.

Esta aplicação é baseada no maual de procedimentos do serviço de anestesiologia do IPOLFG. Já está disponível para dispositivos android na google play e brevemente estará disponível para dispositivos IOS na app store da apple.

Veja as imagens

 

Workshop – Abordagem Anestésica em Cirurgia da Cabeça e Pescoço 2015

O workshop de abordagem anestésica em cirurgia da cabeça e pescoço 2015 vai realizar-se nos próximos dias 6 e 7 de Fevereiro.
As inscrições são gratuitas, sendo mais uma vez patrocinadas pela Merck.

Os interessados devem contactar o delegado no seu hospital ou em alternativa demonstrar o seu interesse enviando um e-mail para antonio_eusebio@merck.com.

programa_workshop_ccp_2014

 

Manual de Procedimentos 2015 – lançamento da edição digital

Procedimentos 2015“O que mais desespera, não é o impossível. Mas o possível não alcançado.”
Robert Mallet
1915-2002, poeta, França

“Não é um notável talento o que se exige para assegurar o êxito em qualquer empreendimento, mas sim um firme propósito”
Thomas Atkinson
1799-1861, arquitecto, Inglaterra

Num ano de efemérides, já que 2014 corresponde aos 50 anos da síntese do pancuronio e do propanolol e da fundação das Sociedades de Anestesiologia dos Povos de Língua Portuguesa (III Congresso Mundial de Anestesiologia em S.Paulo), assinalando também os 40 anos do 25 de Abril e os 35 anos do SNS, publicamos a nona edição consecutiva do Manual de Procedimentos do Serviço de Anestesiologia do IPOLFG – denominada PROCEDIMENTOS 2015.

Todas aquelas datas nos dizem respeito e nos merecem respeito.

Não sei o que imaginariam os protagonistas daqueles acontecimentos sobre o futuro que representa hoje o nosso tempo, mas recuso determinantemente a noção de que não valeu a pena.

Quero acreditar que a ansiedade com que olhamos os próximos tempos também venha a desvanecer e permita a conclusão de que valeu a pena termos passado pelo que agora vivemos.

Mas que não está a ser fácil, não está.

Invade-me o sentimento de que algo mais poderia ter sido feito e muito ter sido evitado, mas tudo fica mais complicado quando, em vez de apontar o dedo, transfiro para mim a interrogação do que deixei de fazer ou do que activamente fiz para lá do habitual.

Não preciso de me sentir responsável (ou co-responsável) mas não consigo deixar de me sentir desconfortável.

Também o Serviço não se terá agigantado perante as circunstâncias, mas não abdicou de manter o compromisso que quis assumir quando iniciou esta ciclópica aventura de divulgar os procedimentos que adopta na sua actividade assistencial.

Venho a anunciar dificuldades há alguns anos, principalmente no que diz respeito à obtenção dos necessários meios para que esta tarefa não termine, mas o conhecimento da realidade que vivemos lembra-me sistematicamente que esse momento estará mais próximo do que temia.

É por isso mesmo que passámos a construir cada edição como se fosse a última e, portanto, com o mesmo entusiasmo com que produzimos a primeira.

Em breve anunciaremos uma aplicação para dispositivos móveis que disponibilizará o conteúdo mais dinâmico deste Manual, sem o intuito de o substituir mas sim complementá-lo.

Nesta edição, para além da obrigatória revisão que sempre fazemos, abrimos espaço para mais dois capítulos que sempre constituíram preocupação para nós e que agora foram elevados a procedimento consensual: a “Profilaxia Antibiótica Cirúrgica” e as “Convulsões”.

Também foi modificado todo o capítulo sobre o “Manuseio Perioperatório dos Doentes Medicados com Antiagregantes Plaquetários e Anticoagulantes”, uma vez que passámos a adotar, como procedimento, o documento final do guia de consenso 2014, que também subscrevemos, brilhantemente produzido por um grupo de trabalho que se formou no seio da SPA e com o qual nos orgulhamos de ter colaborado.

Se for esta a última vez que divulgamos os nossos procedimentos, desespera-nos – citando Mallet – o possível não alcançado.

Se não for a última, fica o firme propósito de o repetirmos no próximo ano.

José M. Caseiro
Novembro 2014

Exposição – Como a Anestesiologia Mudou o Mundo

Como a Anestesiologia Mudou o Mundo

No âmbito das comemorações do Dia Mundial da Anestesiologia que tiveram lugar no dia 21 de Outubro de 2014 no Hospital de Santa Maria, entendeu a Sociedade Portuguesa de Anestesiologia, em parceria com o Serviço de Anestesiologia do Centro Hospitalar de Lisboa Norte, realizar uma exposição sobre a história desta especialidade médica e intitula-la Como a Anestesiologia Mudou o Mundo.

Com o objectivo de divulgar a Anestesiologia entre os pares e para os cidadãos, foi conferido a essa exposição um carácter itinerante e oferecida a possibilidade a todos os serviços de Anestesiologia do país de a receberem, permitindo ser vista por todos, de Norte a Sul, incluindo ilhas.

O Serviço de Anestesiologia do IPOLFG aderiu à iniciativa com a inclusão de um poster sobre a sua própria história e fazendo do Instituto a primeira instituição hospitalar a receber a exposição após a sua saída do átrio principal do Hospital de Santa Maria.

A exibição decorrerá entre 14 e 28 de Novembro de 2014 no corredor de acesso à Direcção Clínica, no 2º Piso do Edifício Principal, pelo que se convidam todos a visitarem-na.